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Vagas abertas

Vocabulário

O que é ser neurodivergente

Neurodivergente é a pessoa cujo cérebro percebe, aprende, processa ou responde ao mundo de um jeito diferente do que se convencionou chamar de típico.

Uma diferença, não um defeito

O termo descreve variação neurológica sem eleger um jeito de pensar como o certo. Autismo, TDAH, dislexia, dispraxia e síndrome de Tourette são exemplos comuns — e cada pessoa vive isso de um jeito próprio, inclusive duas pessoas com o mesmo diagnóstico.

Ninguém precisa de laudo para se reconhecer aqui. Muita gente descobre tarde, e muita gente nunca vai ter acesso a uma avaliação. Isso não torna a experiência menos real.

Neurodiversidade e neurodivergência

Neurodiversidade é a variedade de cérebros que existe em qualquer grupo de pessoas — todo mundo faz parte dela. Neurodivergência é a experiência de quem funciona diferente do padrão dominante. Uma descreve o conjunto, a outra descreve uma posição dentro dele.

Como isso aparece no dia a dia

Na relação com som, luz, textura e cheiro. Na rotina e no que acontece quando ela quebra. Na linguagem, na memória, no foco, na organização, na leitura de situação social. E também na criatividade, na capacidade de sustentar interesse profundo e em jeitos de resolver problema que ninguém mais tinha tentado.

Roupa entra nessa lista mais do que parece. Uma etiqueta que raspa a nuca, uma costura no ombro, um elástico apertado no punho: para muita gente é ruído de fundo que dura o dia inteiro e consome uma atenção que fazia falta em outro lugar.

O ambiente é metade da história

Boa parte da dificuldade não vem da pessoa: vem de produtos, espaços e processos desenhados para um tipo só de gente. Um provador com luz fluorescente, um site que só funciona no clique certo, uma peça cuja ficha técnica não diz do que ela é feita.

Quando a informação é clara e as barreiras sensoriais diminuem, a experiência melhora para pessoas neurodivergentes — e, de quebra, para todo mundo. É por isso que a gente pergunta o que te incomoda antes de produzir qualquer peça.

As palavras que a gente usa

Esta tabela não é preferência de redação. É o vocabulário que a comunidade neurodivergente de língua portuguesa majoritariamente pede, e vale para tudo que a Inclusive Me escreve. Se a gente escorregar em algum texto, avise.

Termos preferidos, o que evitar, e por quê
DigaNão digaPor quê
pessoa autista, autistaportador de autismo, pessoa com autismoAutismo não é algo que se carrega ou se pega. A maior parte da comunidade prefere linguagem de identidade.
pessoa neurodivergentepessoa especial, portador de necessidades especiais“Especial” é eufemismo: infantiliza e não informa nada.
neurotípiconormalSe um lado é “normal”, o outro é anormal. Não é o argumento daqui.
níveis de suporteautismo leve, grave, funcional“Leve” minimiza necessidades reais. “Funcional” mede a pessoa pela conveniência alheia.
é autista, tem TDAHsofre de, é vítima de, luta contraEnquadra a existência de alguém como tragédia.
roupa sensorial, roupa adaptadaroupa para deficientesDescreve a peça pelo que ela faz, não pelo rótulo de quem veste.
acessívelinclusivo, como adjetivo solto“Acessível” é verificável. “Inclusivo” virou selo vazio.